Estranho mesmo é desejar voltar pra uma vida que você quis tanto sair. Estranho mesmo é achar que é lá que mora a felicidade. Lá, exatamente ali. Em um tempo que não volta mais. Estranho é ter que tratar com educação, com uma cordialidade nojenta quem você tratou como seu, quem você achou que pudesse possuir. Horrível é ter que ver ele passar e alguma coisa prender seu pé no chão dizendo que não, simplesmente você não pode pular na frente do carro e dizer "Por favor, olha no meu olho outra vez! Nem que seja só dessa vez". Não, você não pode sair gritando "Por que você não me quer mais? O que eu fiz pra merecer isso?!". Não, você não pode fazer isso. E também não pode querer obrigar que ele engula sua presença. Se ele te evita, tem motivos pra isso. E evita sabendo que está evitando, então não há necessidade de passar na frente dele pra ele te perceber ali mas fazer a completa questão de virar a cara pra você. É como se você se vestisse com uma roupa de palhaço, pisca-alertas, luzes e sinalizadores pra ganhar um olhar em sua direção. Mas de que adianta? Ele vai rir do seu papel de tonta, vai balançar a cabeça como quem diz que tudo aquilo é um absurdo. Que você é um absurdo. Que esse amor é um absurdo. Não dá. Não tem jeito de reatar o que não tem volta. Talvez não tenha jeito de consertar uma mentira. Quem sabe se fosse verdade. Quem sabe se tivesse sido verdade todas as palavras ditas, quem sabe se todos os sorrisos tivessem sido sinceros, quem sabe se aquele te amo tivesse sido verdadeiro. Quem sabe.. Mas não foi. E não se conserta o que nunca existiu. Não se pode implorar abrigo pra uma pessoa que te joga no meio do tiroteio. É impossível pedir por favor pra quem tem um coração gelado, pra quem só nota o próprio umbigo. Ele não vai sentir, ele não vai ligar. Ele não estará se importando quando você estiver sozinha, rezando pra que pelo amor de Deus, não faça com que ele suma da minha vida, Amém. Ele não sentirá saudade. Ele não virá mais em nenhuma noite. Ele simplesmente não estará lá quando seu peito estiver apertado. Ele não vai querer te curar. E você rastejará por notícias. Recorrerá à cartomantes e à informantes pra saber como ele tem passado, por onde ele tem andado, se ele ainda está brincando de ser feliz enquanto destrói sua felicidade. Você tentará descobrir cada atitude que ele tomará, cada passo, cada movimento. Mesmo sabendo que isso doerá demais. Porque em qualquer direção que ele for, cada vez mais longe ele estará de você. E não adianta tentar ligar pra ele no meio da noite, não adianta tentar convencê-lo que o amor está aqui, que a felicidade dele está aqui, que ele não encontrará em mais ninguém o que só acha em você. Não adianta. Ele não acredita. Ele não acredita que exista uma coisa chamada destino, acaso, karma, sina, elo, laço. Ele não acredita no amor. Ele não acredita em você. Ele realmente acha que o que passou, passou. Então eu, tentando seguir a mesma linha estúpida de raciocínio, tentando entrar naquela mente tão amarga, fria, insensível, comecei a pensar que sim, talvez ele esteja certo. Nada daria certo. Um dia eu teria mesmo que chegar a conclusão de que tudo não passou de um engano. E que não se pode adiar o fim, não se pode mudar o inevitável. E o que não tiver que ser, não será. Não adianta reza brava, macumba, novena. Não adianta esmurrar a porta, se perguntar porquê, chorar, insistir. É triste, mas algumas coisas simplesmente nascem pra um dia darem errado por mais que a gente faça tudo certo. Eu tentei, eu juro que tentei. E talvez minha maior mágoa seja essa: certas coisas não dependem só de mim. E nosso amor? Bom, nosso amor só existirá quando você lembrar que eu ainda existo. Bem aqui.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Iremos estar "para sempre"
E aí eu me vejo sem você. E a hora não passa, a semana não passa, a calça não entra, o repórter da tv tem o seu sobrenome, eu não consigo parar de comer chocolate, todo mundo me chama de mal-humorada, mal-educada, mal-amada. E que bonitinho o seu filhinho, amiga. Como chama? Ah, jura? Nome horrível, não é mais bonitinho. E tudo fica um tédio, a vida é um tédio, minha família tão divertida e cheia de agradáveis e amorosos erros vira a soma de todos os meus complexos, odeio todo mundo. Eu me odeio. Eu te odeio. Tudo, tudo vira uma bela bosta pra falar a verdade descarada. E esses dias lentos tão cheios de mágoas remoías, promessas não compridas, beijos não dados, esperanças desperdiçadas, esses dias somem assim que eu te encontro, e a vida fica leve outra vez. Colorida. A calça não estava entrando, mas me animo pra entrar naquela academia. E é pra essa família esquisita que eu quero te apresentar. E pra falar a verdade o nome do filho da minha amiga é lindo, meu filho vai ter esse nome. Meu filho vai ter esse pai. E meu sorriso sempre aberto volta, e tudo é lindo, tudo é tão cheio de significado, a vida fica tão sonora e tranqüila. Eu gosto da paz do teu encontro. E aí eu me vejo com você, e todos os monstros não existem mais, e todas as minhas preocupações sobre amor, e sobre a falta de amor.. Cadê? Pra onde foram? Não sei, só tenho olhos, ouvidos, pernas, bocas, coração. Tudo, tudo é pra você. E quer saber de uma coisa, a mais foda de todas? Lá vai: te amo mesmo sabendo que você vai sumir, te amo mesmo sabendo que você mente, te amo mesmo sabendo que você me ama mas não vem me amar, te amo mesmo não sabendo de nada. E adoro esse amor. E adoro aquela angústia absurda de pensar que você não me quer mais, de pensar que você sumiu pra sempre, e adoro mais ainda quando você volta e eu falo “Ufa, eu tava errada, olha o jeito que ele me olha, olha o jeito que ele me aperta. Não foi dessa vez que ele foi pra sempre! Graças a Deus.” E adoro aquela vontade de te matar, porque depois das suas gracinhas sem graças você me diz que ama ver a minha carinha de brava e aí eu amoleço. E adoro que você confunda meu nome, porque sei que é o charme pra eu te bater, e pra você falar bate mais, e pra mim falar que vou embora, e pra você falar que não vai deixar, e pra você não me soltar, e pra você me encher de beijos e desculpas. E adoro essa sua mania de arrumar outra, porque no escuro do quarto, e no fundo da alma, você confessa baixinho que não há ninguém como eu, não há ninguém como nós. E eu adoro seus erros. Porque um dia você acerta, e me faz a mulher mais feliz do mundo. E eu adoro o telefone que não toca, porque um dia ele toca, e é você, e eu tremo tanto que quase não consigo apertar pra atender. E eu adoro beijar outros caras, completamente sem papo, sem graças, sem gostos, pra lembrar o gosto que a sua boca, só a sua boca tem. E eu adoro essa distância que me faz querer morrer, que me faz querer saber como foi seu dia, porque vai chegar o dia em que eu vou ser seu dia, sua rotina, sua história, seu presente. E iremos estar mais perto do que juntos, iremos estar pra sempre. E eu adoro esses dias tristes, pesados, sem sentido, sem cor, sem você, porque sei que mais cedo ou mais tarde, você vem pra iluminar a minha casa, a minha vida, o meu sorriso. E quer saber? Obrigada por não me amar como eu queria, obrigada por não fazer o que sonhei, obrigada por ser o perfeito patife que desperdiça tanto querer, tanta vontade, tanta paixão. Isso faz com que nosso amor seja muito mais esperado. Isso faz com que o encontro seja tão intenso, que fico na espera de você sumir logo, pra você voltar logo, pra te reencontrar de novo. Isso faz com que meu sonho de viver a vida com você cresça a cada dia mais. Isso faz com que eu tenha uma vontade enorme de provar pro mundo que o errado, um dia pode dar certo. E dará. Dizem que os fins justificam os meios, não é? Pois é.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Preguiça de você
E eu tinha uma preguiça tão grande de você. Aquelas preguiças que a gente tem no domingo a noite, sabe? Daquele tipo que gente até sente vontade de fazer alguma coisa, mas já fez tanto, que acaba não fazendo coisa nenhuma. Eu tinha uma preguiça enorme de repensar nossa história, e de refazer planos pra que algum finalmente desse certo, e de retentar jogar seu jogo pela milésima vez, e de refingir que não sentia nada, e de remandar você embora. Nada disso adiantaria. Mandar você embora de novo, seria falar pra pinico escutar, por tantas vezes te mandei sumir, e você nunca foi, você nunca vai, você sempre volta. E de um jeito ou de outro, sabemos porquê. A nossa história já tava tão repensada, que mais uma recaída, mas uma tentativa, mais uma chance, seria inútil. De tanto repensar já sabia de cor o trágico fim que isso provavelmente iria ter outra vez. O seu jogo, camarada, eu desisti de jogar, nunca consegui aprender ele mesmo, sempre perdia, o jogo sempre acabava no momento em que meus olhos se enchiam de lágrimas. Pronto, game over pra mim. E eu não tinha mesmo mais motivos pra fingir, tudo que eu sentia tava estampado na minha cara. Não fazia mais questão de esconder, muito menos queria demonstrar. Deixa como está, deixa. E os planos, bom, quanto aos planos nenhum tinha dado certo até aqui mesmo. Os planos de te conquistar foram barrados pela burocracia do seu coração de pedra. Os planos de te esquecer, foram por água abaixo quando eu, ingênua e burra, reencontrava seu sorriso. Os planos de sumir da sua vida, deram errado, no sentido que quanto mais eu fugia, mas você me procurava. Meu estoques de planos mirabolantes já tinham acabado. Agora eu tinha um novo plano: eu não tinha plano nenhum. E o que você vai fazer quando ele te procurar? Não sei. E como você vai agir se ele tentar te beijar? Não sei. E você não sente que está nas mãos dele como sempre? Não sei. E afinal de contas você quer que ele vá ou quer que ele fique? Não sei, não sei, não sei. Era tudo que eu sabia responder. Eu não sabia o que eu queria, nem o que eu deixava de querer, e pela primeira vez na vida isso não me causou aquela angustia que atormenta, muito pelo contrário, me causou uma paz enorme, se quer saber. Porque não sabendo qual era a minha intenção, eu simplesmente não me sentia culpada de nada. Não sabendo se te amava ou se te odiava, eu não sentia necessidade de ter que te esquecer até acabar meu dia. Não sabendo se deixava você entrar ou se te mandava embora eu não corria o risco de acabar chorando depois que eu batesse a porta na sua cara ou depois que sua boca batesse na minha boca. Eu simplesmente parei de correr maratonas pra te alcançar, deitei no sofá, e coloquei na minha cabeça que nada mais tiraria meu sono e meu sossego. E se você tocasse a campainha era tanto faz, pode entrar, a porta tá aberta, mas não levanto daqui não, não movo mais nenhuma palha. Já me cansei demais indo abrir a porta pra você com toda esperança nos olhos, pra no final você dizer que só estava mesmo de passagem, que nem iria entrar de verdade. Chega, me deixa aqui com meu humor zen, minha risada irônica, minha tpm exagerada e talvez, em alguns dias, meu choro molhando o travesseiro. Não altere mais minha paz, não me faça mais declarações no meio da noite, não me peça mais pra deixar o tempo curar e não, não faça mais perguntas difíceis. Nem você, nem mais ninguém. Não sei o que pretendo agindo assim. E quem disse mesmo que toda ação tem que obrigatoriamente ter uma pretensão? Agora, rapaz, eu só tenho certeza é de uma coisa: tenho uma preguiça enorme de te mandar embora, e outra preguiça maior ainda de fazer com que você fique. De agora em diante, eu sustento o que eu não sei, e não me responsabilizo mais pelas coisas que você não sabe, pelo amor que você não sabe se sente, pela falta que você não sabe se faço, pela história que você não sabe se vive. O que você não sabe, me desculpa, mas agora é problema seu. Se resolva com seus conflitos internos e me deixe aqui com a minha paz. Sinceramente, tô com uma preguiça enorme de levantar do sofá e tentar reviver esse amor. Deixa, deixa ele assim: morto, calmo, tranqüilo. Deixa, que só eu sei a canseira que ele já me deu. Deixa.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Eu, eu mesma e minha cabeça dura
Oi, to aqui me lembrando de como você vive sonhando, sonhando, olhando pro céu e imaginando que alguém também estaria olhando pra esse mesmo céu. Não, ele nunca olhou pro céu e pensou em você, homens não costumam fazer muito isso, me desculpe. Talvez ele se lembre de você quando passar com outro na frente dele, ou quando os amigos dele comentarem que ele perdeu um prato cheio, ou talvez quando ele perceber que mesmo experimentando várias, nenhuma supria a sua falta. Mas não, esquece esse lance de olhar o céu, no máximo ele olha pro céu pra ver se vai chover. Sabe querida, eu não quero te machucar, mas eu, eu não sonho mais. Não sonho porque aprendi, cresci, mudei. Ainda continuo com aquela mania irritante que você tinha de coçar o nariz de cinco em cinco minutos e meu gênio não melhorou com a idade não. Mas parei de sonhar com amores impossíveis. Casei. Não, não foi com o seu primeiro amor que eu casei, e também não foi com o segundo, nem com o terceiro. Muitos vieram, chorei e achei que ia morrer por todos aqueles, lembra? E tudo aquilo que você achou que nunca ia esquecer, acabei esquecendo. Ontem encontrei com aquele, o que mais doía em você, sabe? Encontrei num posto de gasolina. Eu abastecendo o carro do ano, ele trocando o pneu de outro, com o cofrinho peludo aparecendo, sujo de graxa, provavelmente o frentista. Olhava, olhava, sabia quem era, mas não conseguia lembrar o nome do sujeito. Acho que ele também sentiu a mesma coisa, me olhou, fez que vinha e não veio, fez uma cara triste, quem sabe arrependido de ter desperdiçado tanto. Eu não me arrependi de nada, ouviu? Não corra mais atrás dele, ele virou um careca, gordo, que meche no nariz e coça o saco em público e daqui a quinze anos você não vai lembrar nem o nome do troglodita. Você acha que isso nunca mais vai embora, né? Mas foi, passou, como eu disse, nem lembrava do nome dele. É só dar tempo ao tempo, só deixar outras pessoas chegarem, você sempre tem a mania de achar que tudo é eterno. Mas não é, não vai ser. Não vou ficar dizendo com quem eu casei, quantos filhos eu tenho e tudo mais, isso faria com que toda a graça fosse perdida. Além do mais você iria se achar muito se pudesse ver o nosso futuro, coitada das suas amigas. Só eu sei o quanto elas deveriam ganhar um premio por agüentar suas chatices. Mas digo que casei com uma pessoa que você nem imaginaria. Não, não estava perto de nós o tempo todo, conheci de repente, deu certo de repente, e me fez esquecer tudo de repente. Tive mais filhos que queria, e mais do que seus peitos agüentaram, confesso. Depois do terceiro eles cederam à lei da gravidade, você ficou puta comigo, mas queria te lembrar que na hora de fazer foi bom pra você né? Então não reclama. Sou feliz, de um jeito que você nunca pensou em ser: de um jeito tranqüilo. Você supunha que felicidade era agitação, aventura, intensidade. Eu escolhi a paz, escolhi o carinho, zelo, amor ao invés das paixões, da ilusão, da inconstância. Agora tenho a certeza de tudo, menos de como seria se eu tivesse feito do seu jeito. Mas tenho certeza que se tivesse seguido aquele seu velho sonho de ser independente enquanto seu projeto a marido não tinha nem o ensino médio completo não iríamos acabar muito bem não. Meu marido querida, causa inveja num raio de 8 km, e você aí sonhando esse traste, que não consegue falar uma frase sem colocar no mínimo cinco gírias escrotas no meio, vou te contar viu. Se dependesse de você, a gente ia tá é na merda agora, sendo eternamente classe média, ralando um ano inteiro pra passar 5 dias em Ubatuba, faça-me o favor. Tô falando tudo isso que é pra ver se você acorda, muda de rumo entende? Eu cheguei aonde cheguei com muito esforço, tive que driblar suas vontades de fazer besteira, tive que escolher minha vida mesmo com você atrás contrariando tudo. Que não é assim, que prefere aquele homem grosso, que preferia aquela amiga falsa, que preferia aquela vida fútil, que não gosta que ninguém mande em você, que quer fazer as coisas do seu jeito. Aaaaaaai, como você me atormenta, às vezes tenho vontade de tapar sua boca com uma rolha pra ter sossego. Acorda menina, acorda que se você começar a escolher certo agora, vamos ter bem menos trabalho pra concertar tudo depois. Olha pra mim. Sou sustentada sim, faço a unha toda semana, você não tira mais nossos próprios bifes, ouviu sua mutiladora? Cabelo, roupas, shopping, motorista, cartão de crédito. Tudo, tudo sem limites. E você aí andando em cano de bike, achando que o salário mínimo dele daria pra vocês fugirem juntos e se acabarem na areia da praia fazendo amor. Ah, criatura de Deus, para de graça, muda de foco, hein? Sabe o Henrique, por exemplo, você não dá nada pra ele né? Se eu fosse você daria tudo, e ainda dava sem camisinha pra ficar grávida, porque menina, ele vai ficar ricaço (feio, mas rico) e vai viver sozinho. Se eu fosse você aproveitava. Ou então fica com esse aí, e mais pra frente vai ajudar ele a trocar pneu no posto de gasolina, amor. A vida é sua mesmo, quem vai se ferrar é você. Só não se esqueça que você vai se tornar eu, e se você fizer todas essas loucuras que você tem em mente, vou ter tanta raiva de você e da sua juventude que não conseguiríamos ter uma relação amistosa. Porque quem planta merda hoje é você, quem vai colher amanhã sou eu, então cuidado, que quase sempre a gente se arrepende por ter escolhido errado enquanto podia escolher. Hoje tudo o que eu posso fazer é pedir pra você prestar atenção com o que você fará das nossas vidas. Tomara que alguma coisa de útil tenha entrado nessa sua cabeça dura, menina. Te vejo mais tarde, daqui alguns anos, quem sabe. Cuide-se. Cuide-nos.
domingo, 8 de maio de 2011
Depilação, neuras e uma solução
Vou montar um puteiro. Eu nunca vi um puteiro de homem, quer dizer, um puteiro pra mulher que tenha homem. Tão simples, ia resolver tanta coisa. Ah, tanta coisa. Essas neuras de nossa não me depilei, nossa justo essa minha calcinha que é velha, noooossa minha calcinha é de listra vermelha e meu sutiã de bolinha azul, que brega. Sem contar que ninguém mais ia se preocupar em esperar dar o terceiro mês pra poder dar. Puts meu, só de pensar que meu último relacionamento acabou há 5 meses, e depois que acabou não acabou de verdade - sabe aquela coisa chatinha de que você namora por semanas no telefone? Chega da faculdade, ele te liga. Vai na esquina, ele te liga. Vai no banheiro, não chama o Alfredo, chama ele. Aaaaah, que coisa chata! Não termina, nem ta presente pros finalmente, me entendem? E nisso fica esse chove-não-garoua e você não beija, não molha o bico, quem dirá molha outra coisa, né? Eu não gosto de esperar o terceiro mês, porque muitas vezes, antes do terceiro mês, o bendito do pobre ser humano que participa ativamente da relação, já fez o santo favor de estragar ela, ficando de gracinha com a primeira fulaninha que eu tenho nojo. Então tá decidido, vou abrir um puteiro! Mas o esquema de seleção para os rapazes tem que ser muito bem definido. Ninguém pode ter olho azul, olho azul me lembra meu primeiro namorado que era uma belezinha, não vou conseguir deixar as clientes ficarem se agarrando naquele zóinho bonitinho. Olho azul corta. Hm, deixa eu ver.. Loiro eu deixo, nunca gostei muito de loiro mesmo, e eu tenho a impressão de que todo loiro tem bafo, então loiro tá liberado galera! Bom, branquelo pode. Japonês? (hahaha, acho que não vai ter muita procura né, mas tudo bem, depois começam a falar que a dona do puteiro tem preconceito, aí já viu, melhor contratar pelo menos um!), nordestino também pode (vai que o tamanho das cabeças sejam proporcionais né, dê mais prazer, sei lá, vamo testar!) Já moreninho, eu vou ficar com um certo ciúmes, só pra clientes VIP’s eu empresto! Mas se o sujeito me parecer com o Alexandre Pires, aí vai ser exclusividade da dona do Bordel, vou querer só pra mim, não tem nem negociação. Mas a gente pode pensar em contratar uns queimadinhos né, dizem que esses, meninas do céu, quem já teve um na vida, nunca mais esquece! Chinês acho que ninguém vai querer, dizem que tem o olho muito fechado, nunca acertam o buraco, e baianos são muito devagares minha gente, oxente mainha, nunca vão estar dispostos. Mas eu prometo que penso em profissionais de qualidade, e experimento todo mundo antes e vejo se aprovo. Ninguém mais vai sofrer por amor, ninguém mais vai precisar pensar ‘puts, vou sair com ele e lá embaixo nada tá em bom estado, justo hoje’. Minha filha, ele nunca mais vai ver o seu lá embaixo. Você talvez nunca se esqueça da cara dele, da noite com ele, mas ele nem vai ligar pra sua pequena penugem. Ele não vai ligar se você tirou o bigode ou não. Ele não vai ligar se você retocou suas luzes ou não. E o mais importante: ele não vai te ligar! E você que fique é muito feliz por isso, porque não estou fazendo propagandas enganosas, estou te prometendo uma noite muito agradável. Tantas mulheres já foram felizes, tantas vezes na vida, e ainda ficam procurando uma felicidade lá na frente, aonde não tem, aonde não pode, aonde não existe, sem se darem conta, de que não se busca a felicidade no futuro, se nota a felicidade no passado. Quando você acorda (às vezes pelada, com dor de cabeça, com a sua melhor amiga num estado pior que o seu, suplicando Jesus, acenda a luz por favor e responda aonde é que eu estou, em outros casos não) e relembra “nossa, ontem foi divertido, né?”, talvez isso seja felicidade. Não busque muito. Busque somente. Eu, nesse momento, estou buscando somente um puteiro. Tá, tô sonhando alto demais, né? Um homem? Ainda é muito? Um vibrador? O dedo??? Ai gente, pelo amor de Deus né, aí já é demais. Tá bom, cansei, vou dormir sozinha mesmo.
domingo, 1 de maio de 2011
Um "te amo" e mais dez quilos
Te Amo. O que? O que que eu to ouvindo? Repete, não, por favor, repete. Te Amo. Meu filho, você tem noção de quantos meses fazem que você sumiu? Você tem noção de quantas noites eu fui dormir abraçando o travesseiro, falando pra mim mesma: imagina que é ele, pensa que é o cheiro dele, pensa que é o gordinho das costas dele. Criatura, não te ensinaram nada na vida não? Você não pode dizer te amo assim, sem mais nem menos. Um te amo mexe muito com as pessoas. O seu não-te amo mexeu muito comigo, me fez chorar todo dia porque eu não te tinha, me fez engordar 10 quilos cara (vai tomar no cu!), me fez ficar com outros caras e ter nojo desses coitados que nem sabiam porque eu tinha vontade de matar os pobrezinhos. E eles me dando flores, me dando tantos te amos, me dando abraços sinceros, e eu nunca quis isso, por causa do seu não-te amo. Você consegue entender isso na sua fragilidade mental? Consegue entender que eu não tive vida? Eu existi somente, passei pelos meus dias, sempre com as mesmas perguntas na minha cabeça: por que ele não me ama? por que eu não consigo fazer o olho daquele desgraçado brilhar? por que ele prefere ser simpático com o mundo e um estúpido comigo? por que eu perco o meu tempo com ele? e por que ele perde o dele comigo? por que mesmo a gente sabendo que tudo tá errado a gente continua? Porque a gente se amava, e eu sempre soube disso sua anta, eu sabia, eu avisava você! Agora vem você me dizer que demorou pra perceber, mas agora descobriu que era amor? Claro que era amor porra! Se não fosse amor eu ja teria desistido faz tempo dessa lenga-lenga toda, não acha? E então vem você com essa carinha de príncipe me dizer que agora vê o quanto tempo a gente perdeu como se tivesse descoberto a eletricidade, né? Nossa, que descoberta!! Eu chorei muito ao ver que o tanto de amor que eu tinha, você jogou no ralo, e agora o que você espera? Que só porque você deu uma de mãe Dina, você espera que todo o amor que eu tinha por você, ressurja em um segundo? Só por causa de um te amo simpleszinho? Pois é filho da mãe, ele ressurgiu. E tudo que eu sentia, que eu achava que já tava calmo dentro de mim - não morto, mas escondido- voltou a aparecer. Mas pra você sempre foi fácil, passou um ano sem a menor preocupação em dizer que me amava, e quando eu não precisava mais escutar, me falou. E aí muito o que bem né, o que fazemos com tudo isso? Porque quando você quer aparecer, você aparece que nem um flash: rápido. Mas do jeito que chega de frente, vai embora de ré, não da nem meia volta pra não gastar energia. E eu? Meu amor não é flash, meu amor é luz, aonde quer que eu esteja, ele tá aqui comigo, essa desgraça de amor tá aqui comigo. E por mais que eu queira me esconder, sempre tem um pontinho de luz, e um pouquinho do seu amor, que me lembra você. Muito obrigada por me amar de volta, eu não te disse, mas eu te amo também. Mas quer saber? No meio dessa vida complicada, acho que só a gente se amar, não basta, não resolve muita coisa, não é? Bom mesmo seria é se você pudesse estar aqui, como flash ou como luz.
domingo, 17 de abril de 2011
Saudade do seu mundo
Acho mesmo que o final é simples. Quando se enrola muito pra colocar um fim, é porque não se quer que termine. Quando se fala não quero mais olhando nos olhos, quando por mais que você abrace forte e fale não vá embora, ele vai. Não tem mais jeito nem volta. Acabou, é simples. Mas e depois? Relacionamentos têm data de início na aliança, mas não começou exatamente ali, muitas vezes o amor vem antes, o querer veio antes da data. E quando se termina, pra um, o amor já não existe, mas pra outro a data do fim é só uma data, porque o amor não tem hora marcada pra acabar, ele permanece e vai morrendo aos poucos. E assim eu fui, fazendo com que você morresse aos poucos dentro de mim. Depois que você terminou comigo, fui tentando terminar pouco a pouco com você. Primeiro comecei a jogar fora todas as coisas que lembravam você. As ruins foram acabando, a raiva passou, a vontade de te matar passou, hoje só uma dorzinha apertada aqui no peito. As boas, juntei tudo numa caixa, guardei como se fosse um porta-retratos da época mais feliz que já tive. Depois, fui terminando com seus amigos, pra evitar que falassem de você pra mim, fui ignorando os comentários sobre nós dois, e seus amigos, que já tinham virado meus por conseqüência, deixaram de ser meus, hoje comprimento só com um oi e tchau. Fui deixando nossos hábitos pra trás, rompi com os lugares que você freqüentava, colocava como proibida a rua da sua casa como se ali fosse um campo minado. Também deixei terminantemente proibido vasculhar sua vida na internet, exclui do orkut, deletei do msn, ignorei seu numero no meu celular. Em hipótese nenhuma você conseguiria falar comigo. Quis te evitar, meu Deus, como quis te evitar, só eu sei o esforço que fiz. Muitas vezes inútil, eu pensava, porque você mesmo se encarregou de sumir da minha vida, mas fazendo isso, sentia que estava te chutando, pelo menos agora. Acho que depois de alguns meses que você terminou comigo, eu consegui realmente terminar com você. E hoje vejo que sou feliz assim, meu sorriso voltou a ser sincero, minhas risadas voltaram a ser escandalosas, o fluxo está seguindo e estou vivendo muito bem, obrigada. Voltei a minha vida de muitos pretendes de uma vez só, voltei a escolher quem seria o da vez. Confesso que as vezes paro e penso que não adianta eu ficar colecionando álbuns se perdi a figurinha mais premiada, mas nessas horas, já me vem um para de ser boba menina, você tá muito bem sem ele, para de graça, e aí, eu paro de graça. Não consigo ainda dizer que meus dias são mais felizes do que antes, mas pelo menos já posso dizer que minhas dores de cabeça diminuíram bastante, e pra falar a verdade, não sinto sua falta. A gente sente falta do que foi bom, e sei que você não foi bom pra mim. Tava cansada de me sentir diminuída, aos pedaços, implorando pra você juntar meus cacos, pedindo que pelo amor de Deus você desse uma parte de você enquanto eu me dava inteira. Isso não faz bem, e hoje sei que se amar é isso, prefiro ter um coração de pedra. Amar é muito mais do que se sentir um nada, amar é muito mais do que achar que ou é ele, ou não é ninguém, e realmente tudo que espero agora é alguém que seja o oposto de você. E é por isso que digo que posso não sentir sua falta, sentir falta de quem nos mata pouco a pouco é querer gostar de morrer. E eu gosto muito da vida. Mas eu sinto falta das coisas que terminei por sua causa. Sinto falta de comer naquela lanchonete, que nunca mais entrei. Sinto falta de passar do outro lado da calçada, que sempre passava, mas agora não passo mais porque lembro que foi ali nosso primeiro beijo. Sinto falta da liberdade de correr de moto, porque sei que agora estou livre pra onde eu quiser ir, mas não tenho você pra ir junto comigo. Sinto falta do cheiro da sua casa, do cheiro de limpa que sua casa tinha. Sinto falta do seu cachorro cheirando minha calça que estava com os rastros da minha cachorra. Sinto falta de atender o telefone da sua casa como se fosse de casa, de sentar pra jantar na mesa da sua mãe. Ah, sua mãe, como eu sinto falta da sua mãe. Como eu sinto falta das histórias que ela contava, que você era igualzinho seu pai e que tinha suado até conquistar ele. Sinto saudade de reclamar de você, e ela concordar comigo, dizendo que você não prestava mesmo. Sinto falta até do seu pai, que mesmo contido me dizia com os olhos que aprovava nós dois juntos. Falta do cachorro, gato, periquito, papagaio. Sinto falta de ouvir você falar como foi seu dia, falta de você contar uma coisa super engraçada e eu rir junto, mesmo não achando graça nenhuma, só pela graça de concordar com você. Sinto falta de escutar com prazer aquela musica que eu gostava tanto, aquele dvd que assistimos juntos, aquele refrão que parecia tanto com a nossa historia, hoje pra mim tudo isso aperta aqui dentro. Como eu sinto falta de falar de você como se você fosse parte da minha vida. Hoje tá tudo tão diferente, e não sei se isso é bom ou ruim, mas percebi que talvez não sinta saudade de você. Você não me faz falta. Tenho saudade é do seu mundo.
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